quinta-feira, 8 de Outubro de 2009
"a verdade que torna os homens livres é, na maioria dos casos, a verdade que os homens preferem não ouvir"
quarta-feira, 9 de Setembro de 2009
objectos de culto

Se sou parecida com a minha mãe? Não. Ela é loura, olhos claros e pele branca. Eu sou morena, olhos castanhos e pele morena. Mas tal como à minha mãe, falta-me sempre qualquer coisa. Penso que durante anos ela foi resolvendo essa inquietação comprando "tupperwares". Todas as semanas apareciam lá em casa caixas novas. E pensando bem, são fantásticas as "tupperwares", na qualidade, no design, no conceito de venda, em tudo. Fantásticas.
A minha mãe continua a comprar "tupperwares", agora para mim. E eu adoro estas caixas.
sexta-feira, 14 de Agosto de 2009
quarta-feira, 12 de Agosto de 2009

"- Tem uma ideia do número de mulheres que conheceu?
- Não quero ser muito explícito sobres essas questões, por um lado porque é um assunto privado, e por outro porque o número não é por si mesmo significativo: há relações sexuais sem consequências, e amores platónicos que podem marcar-nos para a vida. Aconteceu-me também um encontro ter sido tão importante no plano intelectual que a pessoa com quem eu estava e eu próprio descurámos o plano físico, ou até nos sentíamos de acordo, mas estávamos cansados, ou as circunstâncias não eram propícias: há toda uma quantidade de situações importantes que as estatísticas desse género não contemplam.
E de facto, sou sobretudo, monogâmico: raramente mantive várias relações em simultâneo. Quando me interesso por uma mulher, não me interesso pelas outras, mas evidentemente a ligação pode durar de algumas horas a vários anos. Não peço nada de idêntico à mulher, mas gosto que durante o tempo da nossa relação ela procure também ser monogâmica."
Hugo Pratt à conversa com Dominique Petitfaux ("O desejo de ser inútil"). Dito assim tudo parece tão simples, quase óbvio, quase fácil. Mas não é, pois não?
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nos livros
segunda-feira, 15 de Junho de 2009
sopa & sexo
domingo, 12 de Abril de 2009
o que nos pode cair de um livro
arrumava os livros e de um, de Fátima Bonifácio, A Segunda Ascensão e Queda de Costa Cabral 1847-1851, caiu um papel, uma folha A4 dobrada... comecei a ler... Fiz a mala uma data de vezes, fui à net mas acabei por não escrever-te, dobrei a toalha de praia (ainda por usar, ena!), houve um jogo de futebol, insultei as senhoras das lavandaria do hotel, (...) "à espera que a imagem se desvanecesse, à espera que o retrato se desfizesse com a chuva...", lembrei-me do teu rabo, do teu corpo pornográfico - todo - e das coisas que faria com ele, estendido sobre a cama larga, de braços e pernas abertas, ligeiramente levantadas, a boca aberta, os olhos fechados, os bicos das maminhas húmidos, uma bebida fresca a escorrer, as mamas molhadas. Acho melhor parar.
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nos livros (de uma outra forma)
segunda-feira, 6 de Abril de 2009
Hoje, quando abri o outlook, tinha este email:
Parabéns!
O Pedro e a Ana conheceram-se através do Meetic. Aquilo que começou por ser uma amizade baseada num conjunto de afinidades e interesses comuns evoluiu rapidamente para algo mais sério. Após um ano de relação, em que aprofundaram o conhecimento mútuo e os sentimentos, decidiram dar um passo de gigante e estão de casamento marcado para Agosto. Parabéns aos pombinhos!
Parabéns!
O Pedro e a Ana conheceram-se através do Meetic. Aquilo que começou por ser uma amizade baseada num conjunto de afinidades e interesses comuns evoluiu rapidamente para algo mais sério. Após um ano de relação, em que aprofundaram o conhecimento mútuo e os sentimentos, decidiram dar um passo de gigante e estão de casamento marcado para Agosto. Parabéns aos pombinhos!
sexta-feira, 20 de Março de 2009
dom sobrinho

É um "homem tranquilíssimo", que a jornalista descreve como "pequenino e orgulhosamente teimoso" e que diz coisas como: "Hitler queria eliminar o povo judaico e dizem que ele chegou a matar 6 milhões de judeus. Por que nós vamos ficar em silêncio quando estão acontecendo 50 milhões de aborto no mundo?". É impossível ficar indiferente quando lemos coisas como esta. Mas entretanto, este "homem tranquilíssimo", tem à sua volta "cinco pessoas - um advogado, uma psicóloga, um médico e sua mulher, e um vigário" para lhe darem apoio, porque ele cumpriu a lei da Igreja - o cânone 1398, do Código do Direito Canónico.
A entrevista da Veja ao Bispo é imperdível e incrível. Não sei o que me chocou mais, provavelmente tudo, até aquela parte em que a jornalista lhe pergunta: "Qual é o nome dela?" e o Bispo responde: "A menina... como se chama?"
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do que não percebo
terça-feira, 17 de Março de 2009
Acho que nunca deixaremos de ser amigos. De forma estranha. Provavelmente distante. Saudades do que (no passado) sentimos pelos outros é uma noção muito presente e verdadeira. Não só contigo ou connosco, mas com quase todos. Por isso nunca se consegue regressar ao Passado, quando procuramos replicar, em vão, idas sensações.
domingo, 15 de Março de 2009
o homem das nossas vidas

Há uns tempos, à conversa com amigos, lembro-me de ter dito que o Clint Eastwood é o homem com quem gostava de me casar. Recentemente, João Pereira Coutinho, na TVI24, no A Torto e a Direito, disse exactamente o mesmo. Pelos vistos, homem mais consensual não há. Não vi A Troca, não quis. E se não sei explicar porque não quis ver o filme de Eastwood com Angelina, agora não sei dizer porque gostei tanto de Gran Torino. Mas confirmo: o Clint Eastwood é o homem com quem gostava de me casar. E ele canta, senhores! Ele até sabe cantar!
terça-feira, 3 de Março de 2009
happy-go-lucky
terça-feira, 24 de Fevereiro de 2009
sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009
ss
Woman's orgasm is deeper than the man's. "Everybody knows that". (...) Some men never have an orgasm; they ejaculate numb.
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nos livros
domingo, 15 de Fevereiro de 2009
debra winger is back

Debra Winger, in a few quietly incandescent scenes as their mother, briefly lifts the movie onto another plane altogether, somehow combining movie-star charisma with an almost heartbreaking restraint and giving us a taste of what we’ve been missing in the years of her semi-retirement. Foi mais ou menos isto o que me ficou do filme Rachael Getting Married que deu a nomeação a Anne Hathaway para a categoria de melhor actriz aos Oscares de 2009 e a mim, quando vi o filme, alguma irritação. Estive vai não vai para sair da sala, mas não liguem, sou só eu que sou muito impaciente. Um filme sobre uma família disfuncional numa América multicultural com samba e tudo na festa de casamento de uma família do Connecticut... foi demais para mim.
segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Um dia destes, surpreendida com mais uma rasteira, perguntava eu: mas afinal em quem é que podemos confiar? Responderam-me: Confiar?! Nem na nossa barriga que às vezes nos dói. E passou-me pela cabeça que nunca mais voltarei a dizer que me sinto desiludida, decepcionada ou traída por este ou por aquele. Acabou! Estou farta de fazer ajustes de contas comigo mesma.
domingo, 8 de Fevereiro de 2009
ss

I believe (too). That the only difference between human beings is intelligence.
(Reborn, Susan Sontag)
(Reborn, Susan Sontag)
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nos livros
sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009
barbie in charge

Mattel celebrates 50th anniversary of Barbie with version modelled on German chancellor
Vamos lá meninas e meninos, toca a vestir, despir e despentear a senhora merkel!
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coisas que me divertem
segunda-feira, 2 de Fevereiro de 2009
Não sei. Mas não devemos censurá-lo muito. Ele está agora a sentir-se muito infeliz, pode ter a certeza, e amanhã ainda vai sentir-se pior.
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nos livros
domingo, 1 de Fevereiro de 2009
plot, subplot, linha de história

Já em Portugal, as capas, é sobre a telenovela: "A Carta". Argumento escrito por cá, em 2005, de autor anónimo, mandado para Inglaterra para lhe dar patine internacional, e reimportado em episódios. Como veio com a chancela Serious Fraud Office (SFD), que tomamos por departamento da BBC, é um sucesso. Desde aí, o País está suspenso como só esteve há muito, quando apareceu a "Gabriela". A questão que atravessa o País é: "ele" está mesmo metido? O nosso nível de julgamento foi moldado por Tonico Bastos. Desde essa primeira telenovela, continuamos gente simples.
(O GAJO ESTÁ MESMO METIDO, NÃO ESTÁ? Ferreira Fernandes, no DN)
O que é que eu posso dizer? Sou sensível a este género de argumentos.
revolutionary road

Gostei da casa, das cadeiras, dos sofás, dos fatos, dos chapéus e do escritório da Knox; de John Givings (Michael Shannon), da mãe e da expressão do pai, no plano final, enquanto desliga o som do aparelho auditivo. Não gostei do filme.
Entretanto, li por aí que "o filme possui o génio, a arte e a paciência para retomar a nobre tradição do melodrama clássico de Hollywood" (Eurico de Barros, no DN), na verdade, durante o filme, meio distraída e já aborrecida, lembrei-me de Gata em Telhado de Zinco Quente... esqueçam, Revolutionary Road fica a milhas.
sábado, 31 de Janeiro de 2009
sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009
American say:
"We have Barak Obama, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash."
Portuguese answer:
"We have José Sócrates, no Wonder, no Hope and no Cash."
"We have Barak Obama, Stevie Wonder, Bob Hope and Johnny Cash."
Portuguese answer:
"We have José Sócrates, no Wonder, no Hope and no Cash."
De gosto extravagante, caprichoso mesmo. Bastante alegre. Isto quanto à moral. Quanto ao resto, uma vida calma, sem percalços, sem grandes acontecimentos. Nenhum sonho, um bom marido, nenhuma ambição. Em suma, numa palavra, burguesa, burguesa, burguesa. Que tal?
(Adrienne Mesurat, Julien Green, Novo Século Editora, S. Paulo)
(Adrienne Mesurat, Julien Green, Novo Século Editora, S. Paulo)
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nos livros
quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009
how do you deal with it

Hum... só vejo gente agitada à minha volta, gente que me baralha e me deixa muito confusa, ok, 14 de Março de 2002, ZPE, Declaração de Impacto Ambiente, Smith&Pedro, tio, primos e sobrinho, dinheiros que se perderam de lá para cá, acho que sim, que faço uma ideia do que é que estão a falar, e também acho que sim, que o PM está a ficar muito irritado, visivelmente irritado (é assim que escrevemos em telenovela) e que um dia destes se demite e temos eleições antecipadas, é essa a ideia?
Antonio Nogueira Leite, no Facebook... hopes, one way or another, the Freeportgate is solved asap. Hum,hum...
quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009
let's get lost... os intelectuais

Depois de ter lido isto e isto e outras coisas que se escreverem sobre o livro de Paul Johnson, Os Intelectuais (e sem grande preocupação em perceber porquê), veio-me à ideia Let's Get Lost, o documentário do Bruce Weber sobre o "lendário trompetista". O documentário tem anos - Weber estava em fase de montagem quando Baker se atirou de uma janela - mas só o vi no último Doc, em Outubro. Lembro-mo dos que saíram da sala completamente arrasados e de alguém que disse "se soubesse que era isto que ia ver, não teria vindo, um músico genial mas um grandessíssimo filho da mãe!".
enrique sánchez flores
terça-feira, 27 de Janeiro de 2009
segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009
f. bacon

Francis Bacon
3 February - 19 April 2009 Curator: Chris Stephens and Matthew Gale of Tate Britain; Gary Tinterow and Anne L. Strauss of the Metropolitan Museum of Art, and Manuela Mena of Museo Nacional del Prado.Organized by Tate Britain and the Metropolitan Museum of Art, with the collaboration of Museo Nacional Prado
Vamos lá.
No sábado... depois do jantar, à conversa com r., o que é que a idade nos traz? Tolerância e coragem. Coragem? Sim, temos menos a perder... e o que é que nos tira? Capacidade física e tesão! Vamos perdendo a tesão.
"pirotecnia oral"
Equadogue a ler. Eu sei que não devia achar graça (e ainda estou na dúvida se a referência a Olhos nos Olhos é mesmo a sério), mas achei, e muita. Por favor, leiam!
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ficção e crítica
clube de leitura

Gwyneth Paltrow has set up a 'Hollywood book club' with members including Madonna and the model Christy Turlington. Acabei de lançar o desafio às minhas amigas no Facebook. Quando se trata de ler com "voracidade" e "paixão", podem contar connosco!
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que má ideia ter nascido gira
domingo, 25 de Janeiro de 2009
ana claudia elsa
Bem mais do que doze minutos para falar de um "tema intenso" como o amor, sem acrescentar grande coisa (seria essa a ideia?). Escreve-se e reescrever-se e vai tudo dar ao mesmo - mesmo quando temos a johansson e a cruz a trocarem carícias e beijos. Hoje, no cinema, cheguei a pensar que com aqueles diálogos quase que podia estar a assistir a uma telenovela, ou a uma série, vá lá. Bom, valeu pela companhia e por descobrir que a irritante Penelope Cruz de Vanilla Sky ou Sahara, neste filme, está louca, doida varrida... fantástica!
Contudo, à força de encontrar em cada canto a "Introdução à Psicanálise", e seguindo o conselho de dois ou três colegas empolgados, resolvi lançar os olhos sobre o alentado volume. O que esperava encontrar? Sem dúvida coisas proibidas, tudo aquilo que os antigos manuais classificam como indecências. Minha decepção foi enorme. Não compreendia o que entusiasmava tantos os estudantes naquelas páginas de leitura árida. O que havia naquelas crianças complicadas e repugnantes, naqueles bebés imundos, para despertar tanto interesse? As nurseries transformavam-se em antros de orgia onde triunfava o urinol. Tudo se resumia em paixões incestuosas pela mãe e desejos imperiosos de matar o pai. Graças a Deus, nada disso se aplicava à minha pessoa, e conferi a mim mesmo uma grande menção de louvor. Para mim, o que valia era a muralha sólida da Igreja envolvendo minha preciosa pessoa e protegendo-me de todas as imundícies do mundo.
E continuei sozinho, orgulhoso e incompreendido.
(Adrienne Mesurat, Julien Green, Novo Século Editora, S. Paulo)
E continuei sozinho, orgulhoso e incompreendido.
(Adrienne Mesurat, Julien Green, Novo Século Editora, S. Paulo)
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inquietações,
livros,
religião
a maya e o vasco
A Maya mostra ao mundo as maminhas recém-intervencionadas por Emílio Valls, cirurgião plástico. "Fiquei com um peito lindo", garantiu ao Correio da Manhã. Já primeiro-ministro, escreve o mesmo jornal, avisa primo e afasta-se da família, visivelmente incomodado com o que eles andam para aí a dizer e começa a achar "abusivo" que lhe façam perguntas sobre o tema (Freeport).
VdA, que lidera uma das maiores sociedades de advogados do país, alvo das buscas da polícia na passada quinta-feira, não presta declarações. E faz muito bem. Temos o tio, o primo, o sobrinho e a maminhas novas da Maya para nos entretermos.
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desisto,
do que não percebo
sábado, 24 de Janeiro de 2009
sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009
carolina kennedy

Carolina Kennedy desiste da nomeação para o Senado. Por razões pessoais, para manter em privado aquilo que só a ela diz respeito.
rachida dati

Ministra francesa da Justiça vai apresentar demissão.
A primeira ministra francesa de origem magrebina vai abandonar o cargo depois de meses de rumores sobre a sua vida privada e algumas semanas após dar à luz e regressar ao trabalho cinco dias depois. Dati deverá agora concorrer ao Parlamento Europeu.
Sem surpresa...
o'connor
A religião do Sul é uma religião autodidacta, algo que eu, como católica, considero doloroso e comovente e horrivelmente cómico. Está cheia de um orgulho inconsciente que os prende a todo o género de ridículos preceitos religiosos. Não têm nada que corrija as suas virtuais heresias e, por isso, eles resolvem-nas de forma dramática. Se isto, para mim, fosse apenas divertido, não teria interesse - mas eu perfilho as mesmas doutrinas fundamentais de pecado, redenção e juízo que eles. (na Introdução de O Mundo é dos Violentos, de Flannery O'Connor)
A edição que tenho cá em casa tem anos, é da Fragmentos, o número 5 de uma colecção onde se publicou Pynchon (O Leilão do Lote 49 e V), Barthelme, Hawkes, Bellow e Martin Amis. E isto vem a propósito do quê? Por agora, e aparentemente, de nada... não me lembro do livros que li.
A edição que tenho cá em casa tem anos, é da Fragmentos, o número 5 de uma colecção onde se publicou Pynchon (O Leilão do Lote 49 e V), Barthelme, Hawkes, Bellow e Martin Amis. E isto vem a propósito do quê? Por agora, e aparentemente, de nada... não me lembro do livros que li.
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livraria da travessa

Alguém escreveu que os melhores guias de viagens ainda são os livros. Tomei a indicação como um conselho para a vida. As minhas viagens não obedecem as instruções, quanto muito a algumas sugestões, onde se come bem, por exemplo. Em Madrid, entre jornais e revistas, li as "dicas" de uma daquelas aristocratas giras que aparecem na Hola, no restaurante cubano que ela recomendava comi o melhor pudim flan da minha vida, depois de um farto prato de moros y cristianos. Mas passemos à Travessa, a livraria, no Rio de Janeiro. Começo pela que fica na Visconde de Pirajá. Em Lisboa, pediram para tentar encontrar e trazer a Liberdade de Imprensa, do Marx. Encontrei e trouxe e isso também foi o pretexto para uma conversa com o empregado da livraria que me falou dos livros de Miguel Sousa Tavares e José Luís Peixoto, vendem bem no Brasil, ao que parece, de José Saramago, estava a ler A Viagem do Elefante e que estava a gostar muito. Confesso que me senti culpada, uma estupidez, eu sei, mas de repente era como se estivesse em falta porque não li o livro. Tentei dar a volta à situação (mas qual situação?) e lá lhe disse que um dos meus escritores preferidos era um brasileiro, nessa altura ele respondeu-me que o dele era um português, o Lobo Antunes, e durante uns bons cinco minutos - mais do que o suficiente, explicou-me porquê. Sem se aperceber, aquele homem só me dava socos no estômago. Ele sabia dos livros. Falava com paixão e entusiasmo dos autores. Passou-me pela cabeça que dificilmente encontraria, em Lisboa, um empregado de uma livraria como aquele (também já me falaram do Pedro Vieira, mas não o conheço). Fui ainda a outras lojas da Livraria da Travessa, no Shopping Leblon e na Travessa do Ouvidor, no Centro, e em todas elas encontrei empregados atentos, disponíveis e que sabem falar de livros e de escritores.
quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009
césar
Clip: João César Monteiro depois da estreia do filme Branca de Neve. Ao menos o cineasta era intelectualmente honesto. (no Portugal do Pequeninos). Trouxe o clip para aqui porque me lembrei de outras coisas, outras conversas. Não sei se o César era intelectualmente honesto, não me sinto à vontade para considerações tão definitivas. Durante anos hesitei, não sabia o que pensar, fascinada e incomodada com aquela figura quase desagradável, mas quando recordamos os seus filmes, genial ou notável é o que nos sai da boca.
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no sítio do costume
aleixo
Ao jantar enterramos os Gatos, celebramos os Contemporâneos e eles divertiram-se muito com o Aleixo. Todos gostam e deliram com o Aleixo. Não consigo gostar do Aleixo, disse eu, então é melhor ires ao psiquiatra, disseram eles.
quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009
l.freud
o marido da michelle

Obama manda suspender julgamentos em Guantánamo. Como sou uma daquelas criaturas patéticas que ontem se emocionou com a tomada de posse do primeiro presidente afro-americano, hoje, só estou agradada com esta noticia. É a primeira medida tomada por Barack Obama.
mup
Os professores vão pedir a Cavaco que dissolva a AR e "salve o ensino". Numa avalição atenta chegaríamos à conclusão, como diria a Blanco, que estes professores ficaram a 3 dedinhos da trissomia.
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coisas que me irritam
terça-feira, 20 de Janeiro de 2009
como se elas fossem...reais.

A mulher é um fenómeno estranho, para não dizer terrível, aos olhos do homem. Quando a alma inconsciente da mulher se retrai por via da sua união criativa com o homem, torna-se uma força destrutiva. Exerce... uma influência destrutiva que não se vê. A mulher (como acontece com Ligeia) envia ondas de destruição silenciosas que se abatem sobre o espírito titubeante dos homens...Ela não em consciência disso. Ela não o consegue evitar. Mas a verdade é que o faz. Tem o demónio no corpo...
Uma mulher pode usar o seu sexo num acto de pura malevolência e puro veneno, ao mesmo tempo que se mostra submissa, bondosa e muito bem-comportada...
(«Nathaniel Hawthorne and The Scarlett Letter», A Fé de um Escritor, Joyce Carol Oates)
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segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009
michelle

Antes, as mulheres de 40 anos queriam se vestir como as de 20; hoje são as quarentonas que inspiram as mais jovens. Ocorre justamente o oposto do que se via no passado. A verdade é que muitas mulheres estão chegando aos 50 anos enxutas e esplendorosas. É lógico, portanto, que, quando sabem o que usar e como usar, inspirem todas as outras.
(Narciso Rodriguez, entrevista à Veja, 7 de Jan.09)
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bcbg,
ou aquilo que é mesmo importante
domingo, 18 de Janeiro de 2009
Ele (Saramago) tinha sempre um olhar de quem estava a sofrer. Era um olhar que seduzia (os homens sabem muita coisa e as mulheres ficam fraquinhas diante daquele olhar triste). Em inglês até há uma expressão muito engraçada para esse olhar: pleading eyes.
(Isabel da Nóbrega, entrevista à Tabu, 17.01.09)
(Isabel da Nóbrega, entrevista à Tabu, 17.01.09)
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eles e elas
Reino Unido: Milionário condenado a dois anos de prisão por roubar páginas de livros antigos
Londres, 17 Jan (Lusa) - Um milionário de origem iraniana foi condenado a dois anos de prisão por roubar páginas de livros antigos de duas das mais prestigiadas bibliotecas públicas do mundo: a Biblioteca Britânica, de Londres, e a Bodleian, de Oxford.
Farhad Hakimzadeh, de 60 anos, empresário com passaporte norte-americano que estudou na Universidade de Harvard e dirigiu a Heritage Foundation, foi condenado sexta-feira por um tribunal londrino pela "mutilação intencional" e subtracção de páginas de numerosos livros.
Ele mesmo autor de várias obras sobre os viajantes europeus pela Mesopotâmia, Pérsia e Império Mogol nos séculos XVI e XVII e proprietário de uma valiosíssima colecção de livros de viagens, Hakimzadeh valia-se de um bisturi para cortar e levar para a sua casa de Londres as páginas que lhe interessavam.
Apesar das câmaras de circuito fechado de televisão e do pessoal de segurança que vigia as salas de leitura da Biblioteca Britânica, a instituição não suspeitava do assíduo visitante, até que, em Junho de 2006, um leitor alertou que faltavam páginas a um livro de Thomas Herbert datado de 1626.
Segundo os especialistas que se ocuparam do caso, Hakimzadeh danificou cerca de 150 livros das duas bibliotecas citadas.
Kristian Jensen, director das colecções da British Library, disse, durante o julgamento: "Estou muito incomodado, porque alguém que é extremamente rico estragou algo que pertence a toda a gente, destruiu de forma egoísta para benefício próprio algo em que este país investiu e de que cuidou, geração após geração".
(Lusa)
Londres, 17 Jan (Lusa) - Um milionário de origem iraniana foi condenado a dois anos de prisão por roubar páginas de livros antigos de duas das mais prestigiadas bibliotecas públicas do mundo: a Biblioteca Britânica, de Londres, e a Bodleian, de Oxford.
Farhad Hakimzadeh, de 60 anos, empresário com passaporte norte-americano que estudou na Universidade de Harvard e dirigiu a Heritage Foundation, foi condenado sexta-feira por um tribunal londrino pela "mutilação intencional" e subtracção de páginas de numerosos livros.
Ele mesmo autor de várias obras sobre os viajantes europeus pela Mesopotâmia, Pérsia e Império Mogol nos séculos XVI e XVII e proprietário de uma valiosíssima colecção de livros de viagens, Hakimzadeh valia-se de um bisturi para cortar e levar para a sua casa de Londres as páginas que lhe interessavam.
Apesar das câmaras de circuito fechado de televisão e do pessoal de segurança que vigia as salas de leitura da Biblioteca Britânica, a instituição não suspeitava do assíduo visitante, até que, em Junho de 2006, um leitor alertou que faltavam páginas a um livro de Thomas Herbert datado de 1626.
Segundo os especialistas que se ocuparam do caso, Hakimzadeh danificou cerca de 150 livros das duas bibliotecas citadas.
Kristian Jensen, director das colecções da British Library, disse, durante o julgamento: "Estou muito incomodado, porque alguém que é extremamente rico estragou algo que pertence a toda a gente, destruiu de forma egoísta para benefício próprio algo em que este país investiu e de que cuidou, geração após geração".
(Lusa)
Entrada
salada de cenoura com tangerina
Prato Principal
porco assado com molho de mostarda
batata à padeiro
ou
fusilli com espargos e queijo da ilha
Sobremesa
mousse de manga
Antes da Chegada
sanduíche de fiambre e queijo
salada verde com rúcula
abacaxi
barra de cereais
chá-café
Assim até parece que é bom – menu do voo TP176, de/from Rio de Janeiro para/to Lisbon. Fui várias vezes a Paris e nunca subi à Torre Eiffel. Fui a Veneza e não andei de gôndola. E não acho o Rio de Janeiro uma cidade maravilhosa! Em plena Avenida Atlântica, dei por mim a pensar na Charles Bridge, em Praga, na música, noutros sons e no frio. Mas, agora, tenho algo em comum com os ilustres que se seguem: Santos Dumont, Igor Stravinsky, Stefan Zweig, Henry Fonda, Errol Flynn, Walt Disney, Bing Crosby, Orson Welles, John Wayne, Ava Gardner, Leonard Bernstein, Einsenhower, Vincent Minelli, Gene Kelly, Roman Polanski, Alain Delon, Príncipe Charles, Henry Kissinger, Franco Zefirelli, Jacques Costeau, Richard Gere, Mick Jagger, Jerry Hall, Sting, Ben Kingsley, George Michael, Lady Diana, Winnie e Nelson Mandela, Roger Moore, Michael Schumacher, Francis Ford Coppola, Robert de Niro, Calvin Klein, Susan Sontag, Peter Greenway, Stephen Frears, Brian de Palma, Mickey Rourke, Michelangelo Antonioni, Liza Minelli, Jean Claude van Damme, Patrick Swayze, Givenchy, Oscar de la Renta, Anne Rice, Mathew Modine, Bill e Hillary Clinton, Pierce Brosnan, Claudia Schiffer, Catherine Zeta-Jones, Jean Paul Gaultier, Anthony Quin, José Saramago, Ricky Martin, Anthony Hopkins, Gisele Bundchen, Philip Starck, Valentino, Lenny Kravitz, Tom Wolfe e Carmem Miranda, Jude Law e Madonna, também eu estive no Copacabana Palace (bom, confesso, almocei lá, no restaurante junto à piscina, no primeiro dia de 2009).
salada de cenoura com tangerina
Prato Principal
porco assado com molho de mostarda
batata à padeiro
ou
fusilli com espargos e queijo da ilha
Sobremesa
mousse de manga
Antes da Chegada
sanduíche de fiambre e queijo
salada verde com rúcula
abacaxi
barra de cereais
chá-café
Assim até parece que é bom – menu do voo TP176, de/from Rio de Janeiro para/to Lisbon. Fui várias vezes a Paris e nunca subi à Torre Eiffel. Fui a Veneza e não andei de gôndola. E não acho o Rio de Janeiro uma cidade maravilhosa! Em plena Avenida Atlântica, dei por mim a pensar na Charles Bridge, em Praga, na música, noutros sons e no frio. Mas, agora, tenho algo em comum com os ilustres que se seguem: Santos Dumont, Igor Stravinsky, Stefan Zweig, Henry Fonda, Errol Flynn, Walt Disney, Bing Crosby, Orson Welles, John Wayne, Ava Gardner, Leonard Bernstein, Einsenhower, Vincent Minelli, Gene Kelly, Roman Polanski, Alain Delon, Príncipe Charles, Henry Kissinger, Franco Zefirelli, Jacques Costeau, Richard Gere, Mick Jagger, Jerry Hall, Sting, Ben Kingsley, George Michael, Lady Diana, Winnie e Nelson Mandela, Roger Moore, Michael Schumacher, Francis Ford Coppola, Robert de Niro, Calvin Klein, Susan Sontag, Peter Greenway, Stephen Frears, Brian de Palma, Mickey Rourke, Michelangelo Antonioni, Liza Minelli, Jean Claude van Damme, Patrick Swayze, Givenchy, Oscar de la Renta, Anne Rice, Mathew Modine, Bill e Hillary Clinton, Pierce Brosnan, Claudia Schiffer, Catherine Zeta-Jones, Jean Paul Gaultier, Anthony Quin, José Saramago, Ricky Martin, Anthony Hopkins, Gisele Bundchen, Philip Starck, Valentino, Lenny Kravitz, Tom Wolfe e Carmem Miranda, Jude Law e Madonna, também eu estive no Copacabana Palace (bom, confesso, almocei lá, no restaurante junto à piscina, no primeiro dia de 2009).
ELE
Você está a atravessar a linha de sombra do Conrad, primeiro da infância para a maturidade, depois da maturidade para outra coisa. ELA
Para a insanidade. Estou aí daqui a pouco.
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ELA
(Rindo) Acho que já coleccionei homens e eles já me coleccionaram a mim.
(Rindo) Acho que já coleccionei homens e eles já me coleccionaram a mim.
ELE
Você só tem trinta anos. Já coleccionou muitos homens?
Você só tem trinta anos. Já coleccionou muitos homens?
ELA
Não sei quantos são muitos. (Ri de novo.)
Não sei quantos são muitos. (Ri de novo.)
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sábado, 17 de Janeiro de 2009
«A religião!», exclamou Kliman. «Porque é que eles não confiam na bola de cristal para saber a verdade? Suponhamos que se vinha a concluir que afinal a evolução era um disparate, suponhamos que Darwin era mesmo louco. Haverá loucura maior do que a explicação do Génesis para as origens do homem? Isto é gente que não acredita no conhecimento. Não acreditam no conhecimento exactamente como eu não acredito na fé. Dá-me vontade de ir para a rua», disse-me Kliman, «e fazer um longo discurso.»
«Não ia adiantar», disse-lhe eu.
«O senhor tem mais experiência do que eu: o que é que adianta?»
«A solução dos senis: esquecer.»
«O senhor não é senil», disse Kliman.
«Mas esqueci.»
«Tudo?», perguntou ele, dando-me uma pista de uma possível relação que talvez tentasse estabelecer e explorar: o homem jovem que pede um conselho sábio ao homem mais velho.
«Absolutamente tudo», respondi eu com sinceridade - e como se tivesse mordido o isco.
(O Fantasma Sai de Cena, Philip Roth)
«Não ia adiantar», disse-lhe eu.
«O senhor tem mais experiência do que eu: o que é que adianta?»
«A solução dos senis: esquecer.»
«O senhor não é senil», disse Kliman.
«Mas esqueci.»
«Tudo?», perguntou ele, dando-me uma pista de uma possível relação que talvez tentasse estabelecer e explorar: o homem jovem que pede um conselho sábio ao homem mais velho.
«Absolutamente tudo», respondi eu com sinceridade - e como se tivesse mordido o isco.
(O Fantasma Sai de Cena, Philip Roth)
José abriu os braços, num gesto de desamparo, de claro significado: na vida, como nos sonhos, há muita coisa que a gente nunca chega a entender.
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sexta-feira, 16 de Janeiro de 2009
Caos Calmo
Foi o primeiro filme que vi este ano. Gostei, gostei muito. E também acho que sim, que tutto il film rischia di essere travolto da una scena, una sola, un rapporto all' Ultimo tango. Sodomia.
E aí, pequeno dilema: qual das duas mãos? Ambas naturalmente, eram candidatas à missão, ambas fremiam, impacientes. Mas resolvi ser justo. Num mundo de destros, a mão direita é, em geral, prestigiada; a esquerda, humilde, e não raro desajeitada, sempre teve poucas oportunidades. Resolvi conceder-lhe aquela chance. (...) Tratei, contudo, de convencer a mim mesmo de que me moviam, única e exclusivamente, bons sentimentos: generosidade, solidariedade com os marginalizados, com os excluídos, categoria na qual eu enquadrava a mão esquerda. Todos têm o direito ao prazer e todos têm o direito de se transformar em instrumento de prazer, foi o que pensei.
ii. (Manual da Paixão Solitária, Moacyr Scliar)
ii. (Manual da Paixão Solitária, Moacyr Scliar)
Só que, constatei ao me levantar, não era mais Tamar que estava ali. Resultado dos meus espasmódicos, brutais movimentos, a pobre tinha sido completamente destruída, voltara a ser uma massa informe de barro. Como muitos outros, na história da humanidade, eu destruíra o objecto da minha paixão.
(Manual da Paixão Solitária, Moacyr Scliar)
(Manual da Paixão Solitária, Moacyr Scliar)
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